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Monthly Archives: novembro 2008

Não é egoísmo, eu juro. Percebo que nessas situações iguais a que eu acabei de viver o meu ego é mais do que rompido, ele é obrigado a desaparecer, a não existir. Sinto nisso uma profunda liberdade, é como se de fato, eu realmente soubesse o que é o amor, como ele se configura às vezes tão mais internamente do que externamente. É complicado pois na verdade eu não queria que as pessoas pelas quais desmancho esse apreço, me maltratassem, sendo que as amo profundamente. Mas é por isso que me dói, por serem essas pessoas. Queria poder ajudar todo mundo , mas tenho primeiro que me ajudar, e isso requer muita força de vontade minha, tempo e energia. Então, como poder ajudar as pessoas que amo se preciso primeiro me ajudar e não transparecer nisso um verdadeiro egoísmo? Sei não, mas dá vontade de chorar.

Valorize a sua liberdade
Sinta, desde agora, o prazer de ser livre
Olhe como é bela a liberdade
Dê graças a Deus pela sua
A tristeza é uma forma de escravidão
Você pode estar preso e sentir-se livre
Mas também pode estar livre e sentir-se escravo
Não a deixe penetrar em você
Cultive a alegria
Sinta a liberdade
Consulte a natureza
Aprecie os pássaros
Os cisnes deslizam sobre as águas
Vigie o uso de sua liberdade
Que ela não seja prisão para outrem
Ponha-a em benefício dos outros
Liberdade com responsabilidade é Deus atuando em nossa vida.

Pois é, acordei no meio da noite agora sem um pingo de sonho, proveniente de um pesadelo que tive. Foi mais que estranho porque foi um sonho dentro do outro, ou seria um atrás do outro, não sei ao certo… e hoje a tarde quando dormi também tive outro pesadelo não menos estranho. Viagem né?! Não faço a menor idéia do que esses sonhos sórdidos possam estar querendo me dizer, muito menos se eles têm ago a me dizer… Enfim, vou escrever um pouco sobre eles, quem sabe um dia eu leio esse poste e os sonhos façam todo o sentido.

No pesadelo da tarde eu estava em uma casa completamente escura, detonada, uma típica mal assombrada. Não a via por fora, pois durante todo o sonho eu me encontrava dentro dela. Tudo na casa era mórbido. Sabe aquela casa do filme Clube da Luta? Bom, era exatamente assim a casa do meu pesadelo. Muito estranha… com água pingando do teto, ranger e estalo de vigas por todos os lados. O mais estranho ainda foram as pessoas que estavam no meu sonho. Uma delas era amigo de um amigo meu lá de bsb, que um dia nós quase ficamos (um beijo só), mas que foi muito paia, daí, na mesma hora eu pedi pra ir pra casa. Até aí tudo bem porque nao houve nada entre a gente mesmo. Só não compreendi o porquê dele estar no meu sonho, mas tudo bem porque ainda por cima o filho dele também estava no sonho e eu nunca o vi na minha vida! Se tivesse que fazer um retrato falado da criança, não ia rolar porque eu nao via o rostinho dela. Estavamos tipo preparando um lanche pra alguma pessoa… creio eu que seja esse meu amigo. Mas era tudo tão conturbado na casa, que simplesmente era complicadíssimo pra poder fazer esse pequeno ato! Bom! Acordei super assustada, né?!

Fiquei um tempão pensando no bendito sonho até adormercer novamente a noite.

Dai foram mais dois sonhos sórdidos… que depois eu escrevo pq tô morrendo de calor.

A pauta de hoje é sobre uma coisinha que quem já não viveu, um dia certamente descobrirá o gosto amargo de tê-la na pele. A traição.

Interpreto esse tipo de situação na mais dura das concepções. Quase como uma condenação humana, a qual todos nós estamos sucetíveis a passar. E realmente não é fácil. Ninguém nunca vai considerar a traição como algo irrelevante o suficiente para passar despercebida. Muito pelo contrário. Ela sempre vai ser responsável pelas incontáveis noites de sono não-adormecido, de sonhos enigmáticos cheios de  conturbações, sensações de vazio e desespero, e terríveis flertes com o suícidio.

Não que eu necessariamente tenha sido traída por alguém esses dias, mas fui cúmplice de uma que até agora me deixou pensando sobre a tal.

Já fui traída. Por isso que a história vez ou outra entra na minha cabeça e me faz lembrar de todas as vezes (as que eu saiba, lógico) de que fui apunhalada pelas costas e a última a saber. Sendo que graças a deus, menos mal, nunca peguei ninguém com a boca na butija. Porque vou te contar, ser traída já é a pior coisa do mundo, ter o desprazer de estar na hora errada (ou seria certa?!), e presenciar o fato, é o caos.

Bom, o que acontece foi que me fizeram testemunha de uma gigantesca demostração do instinto animalesco, sexualmente falando, do ser humano. Diante do que presenciei, a revelação que me veio foi que certas vezes o eu-carne fraca impera sobre o nosso fraco intelecto. Dizem que nosso cérebro é poderoso, que não usamos nem 10% do seu potencial e blá blá blá; agora que me dei conta de que o cérebro boicota o próprio cérebro. O raciocínio cai na armadilha dos sentidos.

Não estou imune a isso!! Meodeos, o que fazer então?!

E viva a condição-falha-humana!!!

“O Zen é, portanto, uma técnica aberta a qualquer um, visando à própria realização individual e utilizando vias de penetração próprias para alcançar o âmago de nosso Ser e a atingir

A COISA EM SI

Pouco adianta falar, muito menos escrever. Os pássaros cantam e o sol surge diariamente sem explicações. Assim deve ser em todas as coisas . É por isso qe escrevo, é por isso que falo. A coisa em si é apenas o título dessas notas esparsas. Em primeiro lugar, o que é “coisa”? Não que eu me importe com os métodos formais do raciocínio lógico. Poderia ter, inclusive, começado com a pegunta do que vem a ser o “em si”. Mas vamos à “coisa”. A “coisa” é a separatividade, a barreira que corta o mundo em opostos, é um pequeno mundo aparentemente fechado dentro de sua pseudoconcavidade. É, além disso, um centro onde em várias ordens, camadas, graus, outras “coisas” de ordem inferior convergem. Vemos assim surgir a noção da hierarquia. Pensemos no átomo com suas partículas, sub-atômicas, nas moléculas, até chegarmos aos seres. Cada “coisa” é, portanto, um degrau de um sistema superior. do vírus ao homem, do grão de pó ao sol há uma hierarquia de sucessões. Portanto, como um andaime, vamos fixar o conceito de gradualidade, para o que virá depois. Neste instante em que escrevo estas linhas, várias outras coisas se superpõem. A caneta é uma coisa à parte, a tinta outra, o caderno, eu, a minha mulher na cozinha, o garoto que assobia na rua, o rádio tocando. Tudo são coisas superpostas e interpretadas. A noção do “eu” isolado deste aqui que  escreve e sente o seu mundo interior é uma ilusão.

Aqui vamos parar um pouco e voltar a outo conceito: o “em si” é a coisa mais pura em sua nitidez última. Aquilo que Krishnamurti nos fala da flor. A flor que cada um vê de acordo com seu condicionamento. Colorindo-a com noções de estética, de valor. Manchando-a com padrões humanos condicionados na nossa natureza, como o cão de Pavlov ao som da campainha. A flor que vemos não é a flor em si. O silêncio deste pôr-de-sol não é silêncio, pois há uma verdadeira nuvem de conceitos, reflexos condicionados, deformando o sol. Tento, neste instante, à medida que a caneta desliza no papel com um rangido característico, um relance de fato puro. Talvez tivesse sentido no momento do último ponto final. Sumiu, entretanto. Neste momento, diante de mim estão as linhas vazias, que serão cheias à medida que as idéias vão surgindo. Mas o “em si”, que esteve tão próximo, já está outra vez longe. Aquela atenção total já desapareceu. Wei Wu Wei em certo ensaio afirma: “- Nenhum evento é coisa nenhuma a não ser uma experiência psíquica”. Este é um novo caminho para se mergulhar. Uma experiência psíquica é algo caracterizado. Firmemente delimitado. É um eterno transporte para o domínio do tempo após sofrer as deformações (refrações e reflexões, absorções, colorações) do meio que atravessa. A visão da coisa em si não é uma experiência psíquica. O satori-iluminação não pode ser captado com a mente, nem medido, nem pesado. É como o ar, como a luz. Não adianta a explicação verbal em termos de experiência psíquica. Os relatos das experiências do Zen nos mostram isso. Há, podem ficar certos, um modo de ver as coisas como elas são. Uma maneira de ver o novo, o incontaminado, o puro, o cume, a raiz das coisas e da vida. Aquele que teve por um instante esse relance não perderá mais o gosto. Muitos buscam essa realização, essa luz, o satori – ou o nome que queriam dar – como uma fuga. Um ponto final à vida que levamos e à mecanização crescente dessa mesma vida. E costumam colocar nessa busca ideal muito distante como uma meta. e se lamentam dos erros, dos “pecados”, como se diria no século passado. E se revoltam contra o vazio de estar só. Preenchem esse vazio com o jogo, a bebida, cinema, TV. E acima de tudo com o sexo. Olhem por um momento uma revista. Vejam as fotos. Sintam na propaganda dos cinemas a ênfase colocada no encontro dos opostos. Tudo isso mergulhado num vazio total e absoluto, na desesperança, nas sujeiras, nas fumaças, nos morros destruídos pela erosão. O Soto-Zen é uma religião que leva o homem a valorizar sua vida diária, sem fugir. Os Himalaias estão dentro de nós. Assim como dentro de nós estão todos os deuses, os demônios, o inferno, o paraíso e acima de tudo aquilo que é a paz fundamental. Não pensem, entretanto, que a busca para alcançar o que sempre existiu é fácil, que o caminho é suave. Milhões de anos de conhecimento nos separam do que está aqui e agora diante e dentro de nós. Que culpa tem o Sol se os homens não querem abrir os olhos? Que culpa têm as estrelas se andamos com a cabeça baixa? Mergulhem! Mas antes disso tudo: Stop!

Parem!

Parem por um momento o gesto sem finalidade, o raciocínio sem controle, o remoer de conceitos sem fim. Que acho eu de tudo? Por que haveria de achar alguma coisa? Se achasse, não andaria mais à procura delas. E teria, talvez, a percepção profunda que vem quando o fundo dos er se desprega rompendo as camadas da consciência e fazendo surgir o Sol.

Parem!

Para encontrar o que não se procura é preciso parar. É preciso não agir para que a ação surja pura em sua manifestação. A ação do vento, da água que corre, do lótus que abre.

Como parar no meio da corrida? Como parar sem perder o impulso da vida? Para parar é preciso, antes de mais nada, assumir uma atitude, pois não é possível enfiar uma linha numa agulha em plena corrida ou escrever em cima de um cavalo a galope. Essa atitude é o chamado Zazen. Zazen é sentar pura e simplesmente. É o verdadeiro Sentar, muito diferente do sentar que estamos habituados. Pos um instante prestemos atenção a uma estátua de Buda. Observemos a espinha ereta, os olhos semicerrados, as mãos superpostas, os polegares na posição de equilíbrio da balança, as pernas cruzadas. Fiquemos nesta posição, dentro de um quarto tranqüilo, durante meia hora diariamente, de preferência pela manhã e à noite. Nãos e deve pensar em nada, nem tentar se opor aos pensamentos, que devem ser observados como quem observa as ondas num rio que passa. E só. No ínício, se sentirá tudo: dores nas pernas, nas costas, pensamentos sórdidos. Talvez se escutem vozes ou tenham-se visões. Mas não se deve dar importância à isso! Também não se deve esperar que a iluminação surja repentinamente, nem pensar em Nirvana ou Sansara, pois são uma só coisa. A ingorância é que produz o distanciamento. Nirvana é Sansar. Aqui e agora! Nirvana é ação pura, pensamento puro, percepção pura, sensação pura. Os oito degraus sa senda – óctupla –  são Nirvana, que é também o caminho dos Budas. É o teu caminho. A única maneira de andar no “caminho” é ficar parado. Aqui está mais um dos paradoxos. Estamos diante dos chifres dele. Sentindo na pele a pressão das suas pontas perfurando nossa carne. Depois, hoje, amanhã, ou nunca, as coisas entrarão de novo no centro. Entã podemos nos levantar e mergulhar na vida. Viver no furacão sem fugir dele. Encontrar o seu “olho”. então as coisas que sempre nos cercaram, as pessoas, as situações se apresentarão verdadeiramente novas. com a pureza instantânea do que surge a todos os instantes. A partir deste momento não é preciso mais mergulhar, nem parar. Todas as coisas voltarão para onde sempre estiveram. A coisa fundiu-se em si mesma!

Introdução ao Zen Budismo – D.T. Suzuki.

Então. Disse que ia escrever até minha dor passar e realmente ela passou, demorou um pouco, mas já cessou e é isso que importa. Grata aceitação por isso. Pois a sensação de alívio é imensamente prazerosa, revigorante e me traz de volta o brilho dos meus olhos. Me sinto leve. A sensação que tenho é que amanhã vou acordar mais leve ainda como se houvesse perdido 10 kg. Acho que deve ser em consideração não somente à minha tática de pôr tudo pra fora escrevendo aqui nesse blog, me desintoxicando dos pensamentos torpes; mas também por ter acordado com a voz suave da minha mãe que estava no hospital, tadinha, e voltou pra casa ontem. Abatida, mas feliz e faminta.

O resumo do dia é a mais pura leveza, esperando mais leveza que virá amanhã. As coisas realmente fluíram como o de costume, os semáforos se abriram pra mim e tudo se encaixou no tempo que perfeitamente deveria ser. Tipo aquela música do The Strokes que pára de tocar exatamente eu paro de dirigir. Pareceu comercial de carro, ou de margarina, estilo happyday. Foi ótimo, pois com esses sinais eu sinto uma segurança danada. A fluidez me absorveu.

Bom. To resolvendo tudo que tenho pra resolver. Devagarzinho, mas tá ótimo. Tudo no seu devido lugar. Fiquei sabendo de festa de electro no sabadão. Ótimo motivo pra dar uma despirocadinha básiquè. Go deep.

Bom. Resolvi que agora vou escrever até minha dor passar. Não sei quando tempo isso vai durar muito menos quantas letras vou ter que usar pra esmiuçar todos esses sentimentos corruptores.

Enquanto eu não me ver longe deles e continuar sendo atormentada por tanta inércia, tanta falta de ânimo (eu até tenho ânimo, mas somente pras coisas que me trazem prazer), tanta coisa “parada” eu fico mesmo é tesa, chata, e sem nenhuma vontade de ser legal ou transparecer leveza pras pessoas.

Mas não gosto de estar assim. Não consigo passar pela minha mãe por exemplo, cruzar com ela dentro de casa sem que isso me cause um certo mal estar, porque mesmo que ela não diga nada, parece sempre que está me repreendendo de uma forma ou de outra. Nem que seja com aquele olhar ruidoso e carregado. Fico estática diante daquilo e simplesmente não consigo me conter. Choro, pois o simples fato de lhe perguntar alguma coisa ja me é uma batalha.  Quase sempre vou escutar algo repreendedor, ou que me desagrade. Não que eu seja aversa às críticas. Muito pelo contrário. Acredito no poder das críticas positivas e até das negativas (olhando o lado bom da coisa) dependendo do contexto e de como aquilo me pode ser útil. Mas não creio num estado de ser de alguém que permaneça o tempo todo arrotando amargura e vomitando arrogância. Sou sensível demais pra aceitar certas coisas e simplesmente olhar pra isso como se não me afetasse. Sou assim mesmo, fazer o quê?! Não tento ser boazinha nem nada. Não é do meu feitio. Apenas jogo com as minhas armas, sendo o que sou, às vezes ingênua demais por acreditar que um outro ser humano possa ser assim como eu. Olhando assim… parece que nunca vou superar isso.

Fico pensando na vida que tinha em Brasília e me dói isso. Sinto falta da minha liberdade de ir e vir sem ter que dar satisfações a ninguém. Sem ter alguém cronometrando meus passos e me fazendo de soldada. De não ouvir lamentações e reclamações o dia inteiro. Apesar de sentir falta das pessoas aqui, não sinto falta desse abuso emocional que tenho aqui. Onde ninguém me enxerga muito bem. Sempre com um certo distanciamento.

Vim pra cá com um objetivo pré-estabelecido e ir embora para o exterior e tal… economizar o rico dinheirinho da minha mãe, pois morando com ela isso poder-se-á acontecer de alguma forma. Pensava em conseguir um trampo tranquilo, que pudesse servir de base pelo menos pra que suprisse as minhas necessidades financeiras mais urgentes e tudo mais. Mas isso não aconteceu (pelo menos até agora) e eu me vejo rodando em círculos, como se não conseguisse mudar a minha realidade.

Por que ser tão penalizada por não enquadrar-me em certos padrões sociais? Por que não poder caminhar por uma trilha escolhida por mim mesma, sendo que pra que isso aconteça eu precise travar uma batalha dentro de mim? Por que será que até hoje não consegui andar com as minhas próprias pernas em busca dos meus sonhos? Não negligencio a ajuda de minha mãe ou de quem quer que seja. Mas confesso que essa dependência é a mais difícil das situações que tenho que encarar na minha realidade.

Falei com Deus hoje e disse que não lhe prometeria mais nada. O sentimento e o desejo foram lançados no universo. Apenas espero e torço pra que dê certo. Não quero saber como. Apenas me concentro no resultado. Não é assim que funciona?

preciso começar a relevar somente as atitudes

pois somente elas importam.

[são realmente transformadoras]

gostar é gostar de verdade.

é atitude.

dizer que gosta são somente palavras.

e palavras, no fundo,

não dizem nada.

É meio estranho tudo isso que me acontece… sempre fico muito confusa com toda essas coisas. Mas é sempre assim que acontece, não sei porque eu ainda não aprendi* (ou pelo menos não me acostumo). Mas creio que esteja aprendendo sim, que todas as lições e todos os desafios que eu me propus no mais íntimo do meu âmago… estejam acontecendo.

[*Na verdade isso é uma espécie de vício mental do meu corpo. Que me corrompe e me deixa inerte quando deseja e corre atrás de reviver esse sentimentos o tempo todo.]

O mês de junho desse ano foi um mês bem conturbadinho pra mim. E em uns dos dias primeiros desse mês, foram consideravelmente fatídicos e definitivos em diversos aspectos relacionados à minha vida: a morte de meu pai, a mudança que isso trouxe, o meu envolvimento com aquele cara e a volta à minha terra natal em um momento tão diferente, tão decisivo, tão… único.

Bom, cinco meses se passaram e eu ainda escrevo sobre isso na tentativa de me desvencilhar não das lembranças em si, mas de todo e qualquer sentimento negativo que esses acontecimentos geraram em mim e na minha vida. Os ciclos estão aí pra isso mesmo: para serem vividos na sua mais intensa e imensa plenitude, sem que por conta disso nós seres humanos tenhamos que pagar um preço X, ou simplesmente amargurar o sentimento de perda.

Amanhã é dia de finados e eu vou visitar o túmulo de meu pai. Já fui uma vez depois que voltei a viver nessa cidade, essa será a segunda vez. Farei desse dia de amanhã e desta visita como um divisor de águas na minha vida. O que aconteceu a cinco meses atrás não pode simplesmente continuar interferindo (e ferindo) na minha vida da forma que está. Ainda gosto daquele cara, mas como eu disse em um post anterior, não desejo vê-lo no momento presente, porque sei que isso com certeza só me causaria dor. Prefido a reclusão da minha figura a ter que passar por momentos que eu necessariamente sei que não os desejo agora. Esse sentimento pode ser algo meio intuitivo, mas creio que é mais proveniente da minha racionalidade. Enfim. O ponto-chave do meu momento não é esse. É exatamente o contrário. Não tenho mais problemas. A única coisa que tenho de verdade é uma vida e tenho que vivê-la assim mesmo. Um dia de cada vez, pra ser mais exata.