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Monthly Archives: março 2009

“Aqueles que são apegados às suas idéias, disputam, dizendo, ‘Apenas isso é verdadeiro’: todos eles são censuráveis, ou também podem ser elogiados?

[O elogio]: é uma coisa tão insignificante, que de modo algum tranquiliza. Eu digo que as disputas produzem dois tipos de resultado; tendo visto isso, que ninguém dispute, e realize o nibbana onde não há disputa. Aquele que é sábio não adota as idéias que tenham surgido entre as pessoas no mundo.

Aquele que está livre das idéias que não tem preferências em relação ao que é visto, ao que é ouvido, porque ele se envolveria?

Aqueles que consideram que a prática da virtude é suprema, dizem que a pureza é alcançada com a auto-contenção.  Adotando uma prática, eles se dedicam a isso: ‘ Vamos apenas treinar nisso, então haverá purificação’.

Mas esses assim chamados expertos ainda estão imersos no samsara. Mas se algum deles falha nos seus preceitos ou prática, ele treme, tendo fracassado nas suas ações. Ele anseia pela pureza da mesma forma que um viajante distante de casa que tenha perdido a sua caravana.

Mas aquele que abandonou preceitos e práticas – tudo – coisas que são censuráveis, isentas de censuras, sem desejar pelo ‘puro ou impuro’, viverá com compaixão e paz, sem se ocupar com a paz, desapegado.

Dependendo de tabus, austeridades, ou daquilo que é visto, ouvido, ou sentido, eles elogiam a pureza em alta voz – mas eles não estão livres do desejo por novas existências. Pois aquele que deseja, gera mais desejos; ele treme, desiludido pelas fantasias.

Mas aquele que aqui superou a morte e renascimento: por que ele tremeria? O que desejaria?

Aquela idéia que alguns dizem ser a ‘suprema‘ é exatamente aquilo que outros dizem ser ‘inferior’. Qual a afirmativa é verdadeira quando todos eles dizem ser expertos?
Cada um reivindica que a sua própria idéia é perfeita enquanto que a dos outros é inferior. Assim, argumentando, eles disputam, cada um dizendo que a sua opinião é a correta. Se uma idéia é inferior, devido ao que é dito por um oponente, então nenhum ensinamento seria superlativo, porque cada um diz que o ensinamento do outro é inferior enquanto que apenas o próprio é verdadeiro. As idéias deles são verdadeiras então a pureza deles também lhes é específica.

Para o Brâmane não há nada dirigido por outrem, nada para ser adotado das doutrinas. Ele, portanto superou as disputas, pois ele não considera a idéia de alguém outro como a melhor.

Eu sei. Eu vejo. Assim é como é!’ – assim dizendo, alguns afirmam a pureza através de uma certa idéia. Mas qual o propósito em dizer ter visto (a verdade), se idéias rivais são apresentadas.

Uma pessoa vê a mentalidade e a materialidade. Tendo visto, as toma como permanentes. Não importa se ele viu pouco, muito, o experto não afima a pureza com base nisso.

Uma pessoa entrincheirada nas suas idéias, sendo enganada pelas idéias, não é fácil de ser treinada. Qualquer coisa da qual dependa, ela descreve como adorável, diz ser a pureza, que nisso ela viu a verdade.

O Brâmane, tendo visto com o entendimento, não se envolve em especulações, não segue idéias, não está atado nem mesmo ao conhecimento. E sabendo o que é convencional, comum, ele permanece equânime: ‘Isso é ao que os outros se apegam.’

Abandonando antigas impurezas, sem criar novas, nem se entregando ao desejo, tampouco entrincheirado nas suas idéias, ele está totalmente libertado, dos pontos de vista, iluminado.

Ele nem adere ao mundo, tampouco critica a si mesmo; está livre de inimigos –  com relação a todas as coisas vistas, ouvidas, ou sentidas.

Com o fardo posto de lado, o sábio totalmente libertado, livre de especulações, sem desejar nada.

Assim disse o Abençoado.