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Monthly Archives: abril 2009

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Bom é agir e bom é abster-se da atividade. Tanto isto quanto aquilo conduz à meta suprema. Mas para o principiante, melhor é agir corretamente.

O verdadeiro renunciante é somente aquele que nada deseja e nada recusa. Inatingido pelos opostos, tanto no seu agir como no seu desistir. Não afetado nem por esperança nem por medo.

Os ignorantes tecem teoria sobre o agir e o conhecer, como se tratassem de duas coisas distintas: mas os sábios  estão convencidos de que quem faz isso, não deixa de colher os frutos daquilo.

O reino da quietude que os sábios conquistam pela meditação é também conquistado pelos que praticam ações. Sábio é aquele que compreende que essas duas coisas – a consciência mística e a ação prática – são uma só em essência.

Difícil tarefa é atingir o estado de renúncia sem ação e sem que o espírito da fé penetre o coração. O sábio que, pela força da verdade, renuncia a si mesmo, integra-se em Brahman.

Este é puro de coração, forte no bem e senhor de todos os seus sentido. Sua vida está a serviço da vida de todos e ele realiza suas ações sem ser escravizado por nenhuma delas.

Porquanto reconhece que não é ele que age quando vê, ouve ou sente.

Pois quando vê ou ouve, cheira ou come, dorme ou respira, quando abre e fecha os olhos, quando dá ou recebe ou realiza outro ato sensório qualquer, que não são senão seus sentidos  que operam com esses objetos eternos.

Quem tudo faz sem apego aos resultados, faz tudo no espírito de Deus. E com a flor de Lotus, incontaminada pelo lago que vive, permanece isento do mal.

[…]

galaxiase começo aqui e meço aqui este começo e recomeço e remeço e arremesso e aqui me meço quando se vive sob a espécie da viagem o que importa não é a viagem mas o começo da por isso meço por isso começo a escrever mil páginas escrever milumapáginas para acabar com a escritura por isso recomeço por isso arremeço por isso teço escrever sobre escrever sobre escrever é o futuro do escrever sobrescrevo sobrescravo em milumanoites milumapáginas ou uma página em uma noite que é o mesmo noites e páginas mesmam ensimesmam onde é o fim é o comêço onde escrever sobre escrever descomêço desconheço e me teço um livro onde tudo seja fortuito e forçoso um livro onde tudo seja não esteja um umbigodomundolivro um umbigodolivromundo um livro de viagem onde a viagem seja o livro e volto e revolto pois na volta recomeço reconheço remeço um livro é o conteúdo do livro e cada página de um livro é o conteúdo do livro e cada linha da página do livro um livro ensaia o livro todo livro é um livro de ensaio de ensaios do livro por isso o fim-comêço começa e fina recomeça e refina e se afina o fim no funil do comêço afunila o comêço no fuzil do fim no fim do fim recomeça o recomêço refina o refino do fum e onde fina começa e se apressa e regressa e retece há milumaestórias na mínima unha de estória por isso não conto por isso não canto por isso a nãoestória me desconta ou me descanta o avesso da estória tudo depende da hora tudo depende da hora tudo depende da glória tudo depende de embora e nada e néris e reles e nemnada de nada e nures de néris  de reles de ratlo de raro e nacos de necas e nanjas de nullus e nures de nenhures e nesgas de nulla res e nenhumzinho de nemnada nunca pode ser tudo pode ser todo pode ser total tudossomado todo somassuma de tudo suma somatória do assomo do assombro e aqui me meço e começo e me projeto eco do comêço eco do eco de um soco no osso e aqui ou além ou auém ou láacolá ou em toda parte ou em nenhuma parte ou mais além ou menos aquém ou mais adiante ou menos atrás ou avante ou paravante ou à ré ou a raso ou a rés começo re começo rés começo raso começo que a unha-de-fome da estória não me come não me consome não me doma não me redoma pois no osso do comêço só conheço o osso o osso buço do começo a bossa do começo onde é viagem onde a viagem é maravilha de tornaviagem é tornassol viagem de maravilha onde a migalha a maravilha a apara é maravilha é vanilha é vigília é cintila de centelha é favilha de fábula é lumínula de nada e descanto a fábula e desconto as fadas e conto as favas pois começo a fala

haroldo de  campos.

embrace

Acordo. Abro os olhos devagarzinho, não me mexo enquanto posso. Fico na mesma posição. Aos poucos espreguiço-me, mexo cada músculo lentamente, como uma dança, um ritual de bem estar físico.

Não penso em nada. Não consigo lembrar de nada. Nem da noite passada. Quieta. Estiquei-me um pouco mais, encontrei um outro corpo.  Não sei exatamente aonde nesse corpo toquei. Aparentemente não se incomodou. Não se mexeu. Eu queria que se mexesse, uma forma de impor a minha presença acabada de desadormecer. Fiquei quieta alguns instantes.

Segundos. Na transição entre o sono e a realidade, senti um toque. Armadilha. Aquele corpo sentira o meu toque. Armadilha. E dava respostas. Armadilha. E pedia respostas. Armadilha. E eu sem saber o que fazer. Redenção.

Me contorci um pouco e consegui me esquivar, mas loucamente à vontade de responder aos estímulos alheios. Me contive. Mente racional, mente co[m]edida. Isso durou mais alguns segundos, pois o corpo já se postava atrás do meu, imitando minha posição. Encaixando-se.

Embora tensa e cheia de tecidos entre aqueles dois seres quentes, havia um certo prazer meu naquilo. Uns cheiros típicos humanos do acordar. Uma não necessidade de abrir os olhos e a imensa vontade de mantê-los fechados.

I´ve got all my life to live. I´ve got all my love to give.

Então. Essa luta de poderes mentais e instintivos certamente teria um fim, e, naquela manhã deslumbrante de chuva que caía por trás da janela do lado de fora; eu mesma teria que ser a bandeira. Seja a branca, seja a negra.

Voavam junto com lençóis e travesseiros, pudores, medos e medidas. O que restava agora eram apenas reverberações não escritas e não ouvidas, parimentos de estímulos anteriores.

As mãos se entreçavam pelos corpos como se houvessem olhos em cada ponta dos vinte dedos das mãos. E ouvidos nos dos pés. Cada círculo de pele era minunciosamente percorridos por instintos, a ponto de não permitir que nenhum território conhecido antes ou não pudesse passar despercebido.

Era a força do amor que deixava que cada gota de existência fosse se esvaindo… se esvaindo e depois fosse trazida de volta por saudades sem um destinatário. Um momento na vida de qualquer trapo humano, qualquer um que se configure cabeça-tronco-sexo-coração.

aishaEnquanto desenho mulheres em mim, trago mundos, traço nomes e encaro mentiras de vidro que por serem escritas não necessariamente constituem a verdade.

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As lágrimas cessaram por este tempo que se chama quando. Mas eu também não sei até quando. Pois ainda dói tudo por dentro.

Adormeci achando que ia amanhacer. Nada! acordei no meio da noite do meu sono atormentado, desejando menos ainda que aquele dia existesse, vontade de fumar um cigarro, vontade de voar até as estrelas.

Daí fui procurar diálogo com um alguém mais novo. Não sei qual é a dele, mas acho que tem medo de mim. Que concidência! Embora ele não tenha dito, não seria a primeira vez que alguém diria isso pra mim. E eu é que fico com medo disso. Seria alguma força diabólica minha vinda das partes baixas? Ou um incrível poder de persuasão aliado com a voluptuosidade de uma cintura, dois seios e uma boca carnuda falando ao ouvido? Não sei, mas é bem provável. Desse tipo de poder feminino eu entendo e posso falar. Mas ele só é poder até o momento de ir pra cama. Da desfloração. Depois, são outros poderes que dominam.

Confesso que sou um pouco, ou melhor, muito revoltada com essa diferença entre macho e fêmea. Embora seja uma coisa natural e eu a compreenda profundamente, ainda acho injusto. Ainda me sinto menosprezada diante de certos direitos e regalias masculinas que estão longe de mudar para algo típico ultrapassado ou feio, mas feitas para prepetuarem durante toda uma eternidade.

Se caso eu comece a reverberar mais sobre isso, poderei, inconscientemente levar meu pensamento às vias de fato, à uma triste revolta feminista, da qual não sairia ilesa. O que me invade é a sensação de que beleza feminina e amor só são bonitos e belos nas artes, naquilo que for incentivo à ilusão. A realidade, ao contrário, é menos bonita, babie. E por isso que esses homens ogros e malvados nos desenharam um pedestal pra que pudéssemos ser algo à parte onde na verdade não há à parte nenhum. Vai entender!

Finjo realmente concordar com essas regras vindas de algum lugar e que servem pra não sei o quê. Feito um loop, ando ouvindo que o sofrimento é sinal de mudança e eu mesma já pronunciei isso pra alguém esses dias. Seria isso mesmo verdade? Creio que sim, pois fora isso não existiria nenhuma outra função pra esse tal mal que assola nossos corpos e nossas almas.

Sinto muito medo de ficar sozinha, e quanto mais eu sinto esse medo, parece que mais afasto as pessoas. Na verdade, quanto mais acho que meu filtro detector de boas possibilidades – no sentido de encontrar um verdadeiro cara que respeita a mulher acima de tudo como ser humano -, fico me questionando se o inssucesso destas minhas relações não se deve de alguma forma desta minha equivocada avaliação. Não sei, mas ótima hora pra parar e realaviar alguns conceitos antigos e atuais. Só que mesmo assim, continuo sozinha, e a solitude tem ido pro espaço esses dias. Saiu de viagem e não sei em que ano volta.

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Até dá pra disfarçar em certos momentos. A frieza das relações neste delicado instante, aumenta a minha instabilidade emocional. Duro de doer, duro de perceber. Fico por horas calada, só pensando, imaginado que quero fazer alguma coisa e que ao mesmo tempo nada me agrada. Só agrava ao tédio. Se ele se faz amigo, ou pelo menos companhia, eu acabei de descobrir isso agora. Principamente quando a gente luta pra dor ir embora – antes ela, a tal compañera – aí sim, só resta ele. Único e sem perdão.

Era fatídico e inevitável. Mas foi assim que eu concebi. Tudo tão lindo demais que me dava medo. E esse medo demais era a minha intuição brilhando, piscando pra mim, querendo me mostrar aquela coisa que eu andava reprimindo mas que não sabia exatamente o que era e lutava pra descobrir e me livrar dela.

Tão pouco tempo e que tamanho sentimento! Como poderia assim caber, fazer crescer tanta voluptuosidade de querer ser e ver, em comprimidas horas, e dias? Um mês inteiro sobraria para quantidade de encontros pra que estes se fizessem importantes o suficente, pois depois disto, não quis mais tirá-lo da minha vida. Seria impossível: ele já era a minha própria vida.

Que insanidade, eu sei, mas de quanta sanidade me valeu durante essa vida toda? E o contrário, de quanta ela se valeu de mim durante esses anos ainda jovens? Não saberia responder, enquanto isso vou ficando com os meus dois calmantes diários que é pra tolerar o tédio com menos agressividade e mais sono, a ponto de poder ler os livros que você me deu e dormir, não conseguindo passar da décima página.

Mesmo tudo isto estando em tamanho de crise, sinto o fio de algo voltando ao normal. Parece conturbado, mas no fundo não é. A dor é sofrimento dado à mudança. A vitrine que mostra o tamanho do meu existente apego. A imensa projeção do meu desejo e do quanto ele pode me corromper. E em meio a isso tudo, percebo que a caminhada é grande, mas só um destino é certo.

dreamless-days

Cantar I

Se você não me agarrar todinha

aqui agora mesmo

só me resta morrer

se não abrir a minha blusa

violento e carinhoso

me sugar o biquinho dos seios

por certo hei de morrer

estou certa perdidamente certa

se não me der uns bofetões estalados

não morder meus lábios

não me xingar de puta

já hei de morrer

bata morda xingue por favor

morrerei quando morrerei

se você não deslizar a mão direita

sob a minha calcinha

murmurando gentilmente palavras porcas

sem dúvida hei de morrer

também certa a minha morte

se você não acariciar o meu púbis de Vênus

com o terceiro quirodátilo

já caio morta de costas

defuntinha

toda morta de morte matada

morrerei gemendo chorando se você titilar

a pérola na concha bivalve

morrerei na fogueira aos gritos

se não o fizer

amado meu escuta

se você não me ninar com cafuné

me fungar no cangote

mordiscar as bochechas da nalga

me lamber o mindinho do pé esquerdo

juro que hei de morrer

certo é o meu fim

te peço te suplico

meu macho meu rei meu cafetão

eu faço tudo o que você mandar

até o que a putinha de rua tem vergonha

eu fico toda nua

de joelho descabelada na tua cama

eu fico bem rampeira

ao gazeio da tua flauta de mel

eu fico toda louca

aos golpes certeiros do teu ferrão de fogo

ereto duro mortal

ó meu santinho meu puto meu bem-querido

se você não me estuprar

agora agorinha mesmo

sem falta hei de morrer

se não me currar

em todas as posições indecentes

desde o cabelo até  a unha do pé

taradão como só você

é certo que falecei me finei

todinha morta

se não me crucificar

entre beijos orgasmos tabefes

só me cabe morrer

minha morte é fatal

de sete mortes morrida

mortinha de amor é Sulamita.

*  *  *


Cantar II

Ó não amado meu

moça honesta já não sou

e como poderia

se você me corrompeu até os ossos

ao deslizar a mão sob a minha calcinha

acariciou a secreta penugem arrepiada?

como seria honesta

se você me deitou nos teus braços

abriu cada botão da blusa

sussurando putinha no ouvido esquerdo?

se pousou delicadamente sem pressa

a ponta dos dedos nos meus mamilos

até que ficassem duros altaneiros

apontando em riste só pra você?

maneira não há de ser moça direita

depois de ter as bochechas da nalga

mordidas por teu canino afiado

que gravou em brasa para sempre

com este sinal sou tua

não nenhum resto de pureza

assim que descerrou os meus lábios

dardejando a tua língua poderosa

na minha enroscada em nó cego

como ser mocinha séria

depois de beijar todinho o teu corpo

com medo com gosto com vontade

de joelho descabelada mão posta

à sombra do cedro colosso do Líbano

mil escudos e troféus pendurados

é possível ser moça de família

se me sinto a rosa de Sarom

orvalhada da manhã

com um só toque do teu terceiro quirodátilo?

Ai precioso amado querido

meu corpo tem memória e febre

meu puto me abrace me beije

sirva-se tire sangue me rasgue inteira

satisfaça a tua e a minha fome

finca o teu pendão estrelado

onde ele deva estar

oh não meu príncipe senhor da guerra

mocinha séria já não sou

me boline devagarinho

no uniforme de gala da normalista

atenção às luvas brancas de renda

me derrube na tua cama

de lado supina de bruços

me desnude diante do espelho

me arrume de pé dentro do amário

me ponha de quatro

me faça de carneirinha viciosa do bruto pastor

me violente sem dó com firmeza

só isso mais nada

sim bem-querido meu

sou putinha feita pra te servir

me abuse desfrute se refocile

quero sim apanhar de chicotinho

obedecer a ordens safadas

submissa a todos os teus caprichos

taras perversões fantasias

quais são? como são? onde são?

me diga como posso ir à igreja

de véu no rosto e Bíblia na mão

se voce afastou com dois dedos firmes e doces

o mar vermelho entre as minhas pernas

expondo à vista ao ataque frontal

meu corpinho ansioso e assustado

me estuprou me currou me crucificou?

quando separou os joelhos

abrindo as minhas coxas

um querubim fogoso

de delícias me cubriu

com sua sua terceira asa de sarça ardente

como ser moça ingênua

se antes sou uma grande vadia

o teu exército com fanfarras desfilando

na minha cidadela arrombada?

ai quero te dar até o que eu não tenho

amado meu santuário meu

quero ser a tua cadelinha mais gostosa

como nunca terá igual

serei vagabunda eu juro

todas as posições diferentes

todos os gemidos gritos palavrões

todas as preces atendidas

desfaleço de desejo por você só você

montar o teu corpo cândido  e rubicundo

é galopar no céu

entre corcéis empinados relinchantes


vem ó princesa minha

depressa vem ó doce putinha

aos gritos fortes do rei que batem à porta

o meu coração se move

salta de um a outro lado do peito

já que se derretem as minhas entranhas

o rosto do amor floresce neste copo d´agua

eu sou tua e você é meu

por você inteirinha me perco

quem fez de mim o que sou?

sim amado meu

sou virgem princesa concubina

égua troteadora no carro do Faraó

vento norte água viva

sou rameira tua rampeira Sulamita

lírio-do-véu pomba branca

morrendinha de tanto bem-querer

até que sejamos um só corpo

um só amor

um só

Danton Trevisan.

lost1

O dia mal começou e eu, já desejei que ele nem existisse. Odeio quando isso acontece. Não é de mim. Não é do meu profundo desejo ter sentimentos assim. Fazer um monte de coisas que fiz nesses últimos dias. Pelo menos em algumas consegui manter o meu self control ligado. Mas em outras nem tanto. Amargurei por isso. E continuo sem coragem pra encarar a realidade. Esta que se apresenta solitária e sozinha pra mim. É muita responsabilidade. Sinto falta do meu pai. Se ele estivesse aqui, pelo menos poderia ir pra casa dele, pra bater aquele papo que só rolava entre a gente. Aquela coisa pai-e-filha mesmo, aquele abraço que eu nunca mais vou encontrar em ninguém nesse mundo.

Pior foi ter que ouvir as coisas que me foram vomitadas.  Naquele momento, meu âmago se partira ao meio, pois já se encontrava em um estado nada inteiriço. E é claro que doeu e continua doendo. Não sei o que fazer, não sei o que pensar. Só tenho vontade de chorar em algum ombro que não existe. Sentir o afago de um alguém que eu sempre espero estar perto de mim nesses momentos, mas nunca está por sempre existir o “se cuida” quando nos despedimos.

Enfim, não sinto mais nada de relevante: quero somente pedir ajuda. Mas já não saberia fazer.

O amor caiu no conto do absurdo.

Unprobably happy end.

My funny valentine.
Sweet, funny valentine.
You make me smile
with my heart.

Your looks are laughable,
unphotographable,
yet you’re my favorite work of art.

Is your figure less than Greek,
is your mouth a little weak,
when you open it to speak,
are you smart?

But don’t change your hair for me,
not if you care for me.
Stay, little valentine, stay…

Each day is Valentine’s Day.

Chet Baker – My Funny Valentine

in-the-groundPreciso tanto dele. Toda a minha prática budista sobre o desapego está impraticável. Quero ter um filho com ele. Quero que ele me despose algum dia.

Preciso também de espaço. De ar, pra respitar melhor essa espectativa, essa idéia louca de estar amando. E o que é pior: de estar sendo amada.

Quero uma varanda só minha, com orquídeas olhando pra mim toda as vezes que eu deitar na rede, e fizer você se apronchegar comigo. Mas tem que ser no frio.

É pertubador encontrar o nome do pai pela segunda vez. Nem precisava ser o mesmo nome, afinal, que nome darei ao meu filho? Muito anti criativo, muito bordão. Tudo-muito-lindo, babie.

Igual ao que escrevi antes. A emoção que sinto agora é exatamente assim. Ter saído de um túnel. Um túnel no qual eu nem via mais a lua no seu final. Via só ruido, muito barulho por nada, sabe? Muito derramamento que me fez escorregar várias vezes. E nesse escorregões acabei encontrando um hematoma maior que vai demorar mais do que duas semanas pra sarar.

Uma noite qualquer, uma sexta feira treze. Dois carros atravessados numa rua onde ninguem pediu passagem. Um desencontro encontrado, marcado e inusitado. Não sei por quê, não sei por quem.

“Essa gatinha tá querendo esse peixe…”

Ah, e como queres!