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Monthly Archives: maio 2009

zen1A idéia básica do Zen é a de entrar em contato com os trabalhos íntimos do nosso ser da maneira mais direta possível, sem necessitar de alguma coisa externa superimposta. Portanto, tudo que aparenta ser uma autoridade externa é rejeitado pelo Zen. Uma fé absoluta é colocada no ser interno do homem. Qualquer autoridade que possa ter o Zen provém de dentro. Isto é verdadeiro no sentido estrito da palavra. Até a faculdade do raciocínio não é considerada  final ou absoluta. Ao contrário, ela impede a mente de entrar em comunicação direta consigo mesma. O intelecto realiza sua missão quando age como intermediário, e o Zen nada tem  a ver com intermediários, exceto quando deseja comunicar-se com os outros. Por essas razões, todas as escrituras são meramente tentativas e provisórias. Não há nelas finalidade. O fato central da vida como é vivida é o que o Zen deseja captar e asssim mesmo da maneira mais direta e vital. O Zen diz ser o espírito do budismo, mas de fato é o espírito de todas as religiões e filosofias. Quando o Zen é compreendido completamente, a paz absoluta da mente é alcançada, e o homem vive conforme deve viver. Que mais podemos desejar?

Alguns dizem que sendo o Zen uma forma de misticismo não pode reclamar posição única na história da religião. Talvez seja certo, mas o Zen é um misticismo a seu próprio modo. É místico nos sentido de que o sol brilha, que uma flor desabrocha e que neste momento ouço alguém bater um tambor na rua.  Se esses fatos são místicos, o Zen está cheio deles. Certa vez, perguntaram a um mestre o que era o Zen, e ele replicou: “O teu pensamento cotidiano”. Não está claro e suficientemente direto? Nadatem a ver com qualquer espírito sectário. OS cristãos e budistas podem utilizar o Zen da mesma forma que os peixes grandes e pequenos podem morar contentes no mesmo oceano. O Zen é trovão. O Zen é o raio, a flor primaveril, o calor do verão, o frio do inverno; mais do que isso tudo, o Zen é o homem. Apesar de todos os formalismos, convenções e superadições que o Zen acumulou na sua longa história, o seu cerne ainda está muito vivo. O mérito especial do Zen repousa nisto: podemos ver ainda este fato último sem sofrer influência de coisa alguma.

De acordo com o que dissemos, o que faz o Zen único, do modo por que é praticado no Japão, é o treinamento sistemático da mente. O misticismo ordinãrio tem sido um produto muito variável e dissociado da vida comum do indivíduo. Isto o Zen revolucionou. O que estava até então nos céus, o Zen trouxe À terra. Com o desenvolvimento do Zen, o misticismo deixou de ser místico. Não é mais o produto espamódico de uma mente anormalmete dotada. O Zen revela-se a si mesmo no meio da mais desinteressante e insípida da vida do homem comum, que reconhece o fato de viver na vida, tal qual é vivida. O Zen treina sistematicamente o pensamento para ver isso. Abre os olhos do homem para o grande mistério que diariamente é representado. Alarga o coração para que ele abranja a eternidade do tempoe o infinito do espaço em cada palpitação e faz-nos viver no mundo como se estivéssemos andando no Jardim do Édem. Todas essas conquistas espirituais são obtidas sem necessidade de qualquer doutrina, simplesmente afirmando, da maneira mais direta, a verdade que jaz no nosso ser interno.

Além de tudo o Zen é prático, comum e ao mesmo tempo sumamente vivo. Um mestre antigo, quando desejava mostrar o que era o Zen, erguia um dos dedos. Com outro chutava uma bola e com um terceiro dava um tapa no rosto de quem perguntava. Se a verdade interna, que jaz profundamente em nós, é assim demonstrada, não será o Zen o método mais direto e prático jamais tentado por qualquer religião? Não será este método prático um método original? Na verdade, o Zen não pode ser nada mais do que original e criador. Recusa-se a tratar com conceitos e somente trata com os fatos vivos da vida. Quando compreendido ao pé da letra, o elevar de um dedo é um dos episódios mais comuns da nossa vida. Mas, quando encarado do ponto de vista do Zen, este gesto vibra com significação divina e vitalidade criadora. Desde que o Zen possa apontar esta verdade no meio de toda nossa existência convencional e amarrada a conceitos, forçoso é concordar que tem a razão de ser.

O texto seguinte, tirado de uma carta de Yengo (Yuan-wu em chinês), responde, de certo modo, à pergunta feita no início deste capítulo: “O que é o Zen?”.

“Está presente diante de tua face, e neste instante tudo te é oferecido. Para uma pessoa inteligente uma palavra basta para convencê-la da verdade, mas apesar disso, ainda incorre em erro. O Zen se afasta muito mais de nós quando tentamos explicá-lo com papel e tinta, prendendo-o numa armadilha verbal e lógica. A grande verdade Zen é possuída de todos. Olha o teu próprio ser e não o procures através dos outros.  Tua mente está acima de todas as formas. É livre, calma e suficiente. Eternamente se imprime a si mesma nos teus cinco sentidos e quatro elementos. Em sua luz tudo é absorvido.  Abandona o dualismo do sujeito e objeto. Esquece-os. Transcende o intelecto. Afasta-se del e e penetra diretamente no âmago de identidade da mente de Buda. Fora dela não há realidades.” Quando Boddhidarma veio ao Ocidente, a única coisa que declarou foi: “Apontando diretamente à própria alma,   minha doutrina é única, e não é assolada por ensinamentos canônicos. É a transmissão absoluta do verdadeiro sinal”. O Zen não tem nada a ver com letras, palavras, ou sutras. Só requer que te encaminhes diretamente ao ponto onde hás que encontrar a morada da paz. Quando a mente é pertubada e a compreensão incitada, coisas são reconhecidas, noções entretidas, espíritos fantasmagóricos conjurados, e os preconceitos crescem sem controle.  O Zen será perdido para sempre nessa selva.

O sábio Sekiso (Shim-shuang) disse: Refreia todos os teus desejos. Deixa crescer mofo nos lábios. Transforma-te numa peça de seda imaculada. Deixa que teu único pensamento seja a eternidade. Procura assemelhar-te às cinzas mortas, frias e sem vida, ou sê como um velho incensório num santuário abandonado de uma aldeia!

Põe tua fé nisto e disciplina-te. Deixa que teu corpo e tua mente se tornem objeto da natureza, tal uma pedra ou um pedaço de madeira. Quando um estado de perfeita imobilidade e inconsciência é obtido, cessarão todos os sinais de vida e mesmo os traços de limitação. Nenhuma idéia te pertubará a mente. Até que, súbito, descobrirás uma luz brilhando no seio de uma alegria imensa! É como cercar-se da luz no meio das trevas. Como receber um tesouro na pobreza. Os quatro elementos e os cinco agregados não mais se assemelham a pesados fardos, tão leve e tão livre tu estás. Tua própria existência foi libertada de toda as limitações. Estás aberto, leve, e transparente. Ganhaste uma visão iluminadora da verdadeira natureza das coisas, que te aparecem agora como flores fantásticas sem realidade concreta. Aqui se manifesta o ser sem sofisticações, que é a face real do teu ser. Aqui é mostrada, em toda a sua nudez, a paisagem do teu nascimento. Há somente uma paisagem direta e desobstruída internemente. Isto ocorrerá quando entregares tudo – teu corpo, tua vida, tudo enfim que pertença ao teu ser mais íntimo. Aí sim, alcançarás a paz, a tranquilidade na ação e deleites inexprimíveis. Todos os sutras e sastras nada mais são do que comunicações desse fato. OS sábios antigos e modernos esgotaram o seu engenho e imaginação para apontar esse caminho. É como o destrancar da porta de um tesouro. Quando chegamos à entrada, cada objeto que a vista alcança é nosso, cada oportunidade que se apresenta está disponível para nosso uso. Acaso não poderão ser obtidas todas as posses aguarda apenas o que descubras e utilizes. Isto é o que significa: “Uma vez ganho, eternamente ganho, até o fim dos tempos”. Todavia, nada foi ganho. O que obtivesse não é ganho. No entanto, há algo que foi realmente ganho.

D.J. Suzuki – Introdução ao Zen Budismo.

impermanencia

O ser que bate a porta na sua cara é o mesmo que depois lhe envia o recado: “Dança comigo?”. Isso se chama impermanência. Chamar a pessoa responsável pelos seus maiores machucados e sofrimentos para morar com você. Isso é vacuidade.

Ano passado fui ver 5×2 (O Amor em Cinco Tempos), de François Ozon. Contado de trás pra frente, a história flui naturalmente como se não houvesse um roteiro nem um diretor. É direta, sem paleativos, mas sem ser niilista ou pessimista (não é otimista tampouco). É uma lição dura essa, a impermanência. Em um momento, vemos uma cena linda de um casal dançando colado. Em outra, eles se atacam como se não se conhecessem. Não há uma cena sequer do filme no qual eles aparecem verdadeiramente felizes e abertos. Há sempre uma ansiedade, uma contração melancólica. Eles nunca estão realmente acordados e vão batendo a cabeça do começo ao fim. Em maior ou menor grau de confusão, é exatamente esta a nossa história. Vivemos insistindo na crença de que algumas coisas são verdadeiramente estáveis e nossa ansiedade surge daí: no fundo sabemos que nada é tão concreto e eterno quanto parece.

Ao pararmos de ignorar a impermanência e nos engajarmos em sua compreensão, podemos cair em dois extremos de sofrimento e frustração. No primeiro, o niilismo, desistimos de dar significado às coisas.  Se tudo eventualmente acabará, qual o sentido em fazer algo positivo ou por que não matar alguém? No segundo, saímos desesperadamente para aproveitar todos os prazeres possíveis enquanto nossa vida durar. O lema “Carpe Diem” define a atitude que Alan Wallace chama de”esteira hedonista”.

Tanto no niilismo quanto no hedonismo, nossa mente opera do mesmo modo, buscando felicidade em seres, instituições, fenômenos e sensações instáveis. Assim cade elemento no qual nos enganchamos flutua; nossa mente, energia e corpo flutuam junto. E lá se vai nossa querida felicidade! A diferença é que no niilismo logo desistimos quando percebemos isso – pensando que essa operação é a nossa única, e falida, opção. E no hedonismo somos mais inteligentes ao usar a percepção da impermanência para pular de um prazer a outro antes que eles cessem. Em geral, somos niilistas ao acordar na segunda feira e viramos hedonistas ao sair do trabalho na sexta feira…

Se levarmos a visão da impermanência até o fim, retiraremos um a um os rótulos e placas (“Permanente e fonte autêntica de felicidade estável”) que colocamos em diversos seres e objetos ao nosso redor. Quando não sobrar mais nada, inevitavelmente vamos nos perguntar: “O que então é permanente? Onde eu coloco minhas placas?”. Assim começa nossa investigação da vacuidade, dos aspectos genuinamentes transcendentais de nosso ser e principalmente dos outros seres. A impermanência de todos os fenômenos construídos esconde a natureza livre, luminosa e criativa da realidade.

Ao contrário do que pensamos, a impermanência não é só responsável pelas separações e trocas constantes de parceiros, mas igualmente pelas uniões duradouras. É porque mudamos constantemente que ficamos juntos. Ou seja, eu gosto do outro não necessariamente pelo que ele é, mas por aquilo nele que se transforma nos vários que o habitam. É a liberdade de um que se conecta com a liberdade do outro. Nós amamos a ausência de definição do outro, não suas características marcadas e consolidadas. Não há amor na rigidez.

Os ensinamentos budistas conferem um sentido preciso ao conceito de vacuidade: ausência de existência ou essência inerente. As coisas não existem “lá fora” nelas mesmas, seu significado não é pré-definido e elas não possuem uma essência nuclear. As coisas são insubstanciais, como nuvens oníricas. Se assim não fosse, a impermanência seria impossível, e estaríamos presos em um mundo completamente pré-configurado. O fato da transitoriedade aponta para a vacuidade (a ausência de substancialidade de todos os fenômenos e seres) enquanto que a vacuidade é a condição de possibilidade da impermanência.

Podemos, portanto, dispensar a impermanência e ir direto ao insight da vacuidade. Para que esperar vinte anos para que uma relação mude? Se ela mudará em vinte anos, isso significa que neste exato momento a liberdade para isso já está presente. Essa compreensão acalera o tempo. Vacuidade é a impermanência em um flash: vinte anos em um segundo. Ou ainda: para que trocar de parceiro se o atual não é definido e pode renascer de uma hora para outra?

Somente o entendimento de impermanência é pouco. Às vezes, eles nos libera so sofrimento imediato por alguma situação (“isso passa”, lembramos), mas nem sempre gostaríamos de esperar. Se a compliacação parece irreversível, logo começamos a pensar no divórcio. Porque a impermanência perde para nossos impulsos, o remédio tem de ser mais forte. Somente a compreensão da vacuidade tem o poder de alterar essa configuração. E enfim, vemos a liberdade no outro, não nas suas prisões e obstáculos atuais das quais estamos tentando fugir.

Vacuidade, pois o outro não existe nele mesmo, com uma essência instalada em seu interior. Ele nasce a cada momento para nosso olhar. Podemos enjaulá-los (“ele é assim mesmo”) e reagirmos pelas operações usuais de gostar, não gostar e sentir indiferença. Sentiremos apego e desejo pelo que gostamos nele, aversão e raiva pelo que não gostamos e seremos cegos às suas partes do outro intocadas pela nossa indiferença. Nessa relação, os meus condicionamentos se engatam nos condicionamentos do outro. Meu orgulho ama enquanto ele não a ensina a sabedoria popular: minha teimosia o ama enquanto ele confronta, meu orgulho o ama enquanto ele não o destrói, meu medo o ama enquanto ele me mantém segura e confortável. Ficamos trancados um ao outro em uma prisão que nos aquece no início mas que ficará cada vez mais fria e dolorosa com a ação implacável dos senhores da impermanência.

Reconhecendo vacuidade e impermanência, podemos deixar de congelar nosso parceiro. Podemos amar sua liberdade com nossa liberdade. Ele não é “assim mesmo”. Ele pode mudar a qualquer momento. Para criar e cultivar esse espaço, lembre-se que as pessoas reagem de modo diferente de acordo com o ambiente no qual se encontram. Se você estiver em um local sujo, a probabilidade de você jogar mais lixo no chão é grande, ainda que você não possua esse hábito. Nossa presença configura uma matriz de possibilidades de ação do outro, um leque de identidades que podem surgir, de personagens que o outro pode atuar. Nós podemos restringir as emoções, pensamentos e movimento corporais do outro somente com nossos olhos! Mas nós podemos ampliá-lo, expandir seu corpo, abrir espaço para que conosco ele seja algo que nunca teve a chance de ser.

Amar uma pessoa considerada “tímida” é, em um só movimento, acolher sua timidez e sustentar uma flexibilidade para que ela possa não ser nada tímida com você. Ao fazer isso, ela naturalmente sentirá que tem a liberdade de ser ou não tímida com os outros. Ela não é sua timidez, mas a liberdade criativa de poder ou não manifestá-la. Por desvincular nosso ser de nossos condicionamentos, uma breve relação virtuosa consegue liberar incontáveis relações viciadas. Anos de aprisionamento podem se dissolver com apenas um olhar de espacialidade.

Não precisamos esperar sentados pela impermanência. Aguardar o dia em que nossas identidades sejam trocadas, que nossas relações problemáticas cabem e nossas experiências se modifiquem.  Não é necessário sequer esperar pela mudança dos outros. Basta que simulemos a impermanência, que nosso olhar comprima quarenta anos em um segundo. Afinal, desde sempre fomos atraídos por aqueles que nos oferecem esse espaço de podermos ser diferentes daquilo que pensamos ser, que nos fizeram ser, dos personagens que cansamos de encenar.

Na verdade, nós não amamos várias identidades impermanentes que surgem ao longo do tempo em nosso parceiro. O processo pode assim parecer, mas o que menoos atrai é a vacuidade do outro, não a sua impermanência.  O “Amor em Cinco Tempos” é uma farsa condenada ao fracasso. O amor genuíno não existe entre identidades temporais, mas entre vacuidades – o que torna verdadeiramente impessoal e atemporal.

Como eu dizia, convidei para morar comigo a pessoa responsável pelos meus maiores machucados e sofrimentos. No momento em que ela entrou em casa, dava para sentir a tensão entre a impermanência e vacuidade, identidades e liberdades, fixações e espaços, passado e futuro. E então ela deslizou – suspensa, sem rastros – e começou a dançar comigo ao redor de nossos medos e carências, seguindo o ensinamento de T.S. Elliot:

“At the still point of the turning world. Neither flesh nor fleshless; neither from nor towards; ate the still point, there the dance is, but neither arrest nor movement. And do not call it fixity, where the past and future are gathered. Neither movement from nor towards, Neither ascent nor decline. Except for the point, the still point, there would be no dance, and there is only the dance.”

Texto de Gustavo Gitti.

http://nao2nao1.com.br/vacuidade-e-impermanencia-nas-relacoes/

amar-o-mari

E nada do que eu havia dito tinha muita necessidade.  O valor imensurável da experiência pessoal precisava ser visto, ouvido e digerido. Pelo menos alguém ouviu e interpretou bem, entendeu o que eu disse e interagiu comigo. Me deu conselhos e força. Me fez ver em frente. Só me resta seguir.

Às vezes as cores me fogem feito nuvens entre os dedos; a pele, fica menos encorajada, perde o sabor e ganha o medo. A boca fica levemente branca e as pernas, trêmulas. O coração palpitante em ânsia. Muita ânsia. De todos os tipos: de vômito, de âmago, de saudade, de solitude, de solidão.

Como gritar com um eco mudo, o supra sumo, às vezes interpretável embora completamente compreensível? O bastar-se em si mesmo é isso. Sem mais delongas ou reverberações contraditórias, é. Tudo processo. E o objeto processual? Eu. Alguns chamariam intuição, sexto sentido, premonição. Não me chateio nem nada pois o beyond deles anda escondido.  Será que somente eu enxergo? Será que somente eu não vivo essa cegueira generalizada? Uma certa paralisia talvez, mas a cegueira não me cabe. Certamente não ando sozinha por esse caminho onde se precisa ver o que se está além. Vivendo o momento presente, fazendo de si mesmo, a mais incrível e verdadeira obra-prima.

Dói. O processo é dolorido. A dor faz parte do sofrimento e o sofrimento faz parte da declaração do universo ao mundo, da mudança, da simples e imensa evolução. Aonde ela está? Aonde ela estaria? Dentro de algum lugar que se fechou, mas que se retorce em vontade de se abrir, que pensa que acabou, mas no deep sobrou alguma coisa de mim e de você lá; ou daquelas pessoas com quem convivi ontem.

Sabedoria em versos de quem não sabe nada.

Não me faço tapete pra que me pisem, mas pra que possam voar todas as noites no estranho manto de glitter no céu. Não entrego o coração pra que o menosprezem, mas para que façam dele um catalizador. Uma arma transbordante de energia imbatível, impenetrável, indestrutível.  Não costumo virar as costas pra nada. Às vezes acontece. É importante. Dizer não também faz parte.

Entre muitos momentos não sabia o que dizer, mas o fazia, pois amava o desnecessário. Meus olhos eram cegos, e assim haviam de ser; pois ainda não sabia enxergar a verdadeira beleza. Algo me golpeava a alma, algo parecido com febre ou asas perdidas num caminho. E assim, hoje me faço só, parada a decifrar essa transcendência.

The sublime logic leads to absolute telepathy.

E como o susto de primeiro passo, assim senti: o vago, um sem corpo, que por uma dor que nunca cessa, abriu-me de súbito. “Um céu debrulhado e aberto, planetas, plantações palpitantes, a sompra perfurada, atravessada por flechas, fogo e flores. A noite agasalhadora:o universo. E eu,um mínimo ser, ébrio do vazio enorme constelado, à semelhança, à imagem do mistério, senti-me parte pura desse abismo, girei com as estrelas, meu coração se desatou no vento”…


Today I don´t scream “rescue me” more.