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estação

Às vezes tenho medo do desapego. É tanto despreendimento que assusta. Me faz pensar e repensar atitudes.

Percebo que vivo de acordo com aquilo que penso. Com minhas ideologias. E por isso mesmo entendo a condição de vida de outras pessoas; ninguém é tão igual a mim assim. Felicidade independe de afinidade. Mas elas também ajudam; é bom quando elas existem.

Tenho pavor de magoar alguém. Minhas intenções são sempre as melhores. Mas como de boas intenções o inferno está cheio, em algum momento, alguma de nossas escolhas irá ferir alguém. Assim como nos magoarão um dia.

É a roda da vida e não podemos fugir dela. A santa impermanência é que nos guia, que nos dá a condição humana e o livre arbítrio que temos.

Depois de aprendido isso, experimentei uma imensa liberdade que jamais havia encontrado antes. É surpreendente e notório que consigamos mudar de verdade a nossa realidade.

Vivi de planos; agora está mais do que na hora de vivê-los plenamente. Já não sinto falta daquele sentimento apegado ou de segurança que o passado me trazia. Não mais sinto isso em relação ao sentimento de possibilidade que ele possui. Aprendi a viver o momento presente e tudo que nele está contido. Mais nada além disso.

Se morrerei amanhã, é com aceitação que viverei este momento. Não tenho mais medo de nada.

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mourning

Sim, eu estou precisando de carinho, de atenção e de companhia. Estou me sentindo sozinha sim e não sei bem o que fazer pra reverter isso. Estou exausta emocionalmente, a TPM, que já não é muito agradável, chegou numa hora mais inconveniente ainda. O que fazer? Gastei uma hora em uma ligação internacional pra tentar amenizar a pressão. Tento cair de cabeça no trabalho. A concentração? Bom, essa bem que eu queria ter! Ao mesmo tempo que me dá vontade de sair, penso que de alguma forma não vou me divertir. Ainda não fiz sexo, ainda não senti o calor. Estou sim com muita vontade. Mas será que vale a pena? Será? (e mais vários serás virão).

Não sei de nada. Só quero mesmo na verdade é ficar deitada na minha cama por algumas horas. Percebi que nesses últimos dias de velório-enterro-choro-e-vela eu me encontrei apática, não caí em prantos, não fiquei amuada. Claro, fiquei bastante sentida; mas levando em consideração que este episódio é o terceiro que vivi desde que cheguei do Planalto Central, é como se eu tivesse criado uma espécie de resistência.

Hoje, um dia teoricamente normal, é que estou sentido o vazio da morte. Apesar de ter uma visão bastante otimista da morte, sou incapaz de não considerá-la, principalmente quando esse alguém que morre estava ali do seu lado, vivendo na mesma casa, todas as horas do dia. Me dói ao lembrar da mão passando pelos meus cabelos quando estava em frente ao computador, ou quando eu me sentia meio invadida por ela. Essas pequenas coisas doem de lembrar. Mas me fazer perceber também, o imenso e maravilhoso tamanho do merecimento que tive. Pois dois meses antes da transmutação, pude ter o previlégio da convivência e da intimidade de uma pessoa tão íntegra e amorosa como foi minha tia.

Que os Bodsattvas mais do que nunca te velem. Olhe por mim. Em breve a gente se encontra.

there

He say: come wander with me, love.

Come wander with me.

Away from to sad world.

Come wander with me…

 

 

É. De fato eu pensei que não fosse muito sério. Assim que eu me dei conta, consegui chegar à conclusão desejada. No fundo era isso mesmo que eu queria: ficar com ele. Mas confesso que não tem preço ouvir as coisas lindas que ele me diz; à sua maneira, claro, de uma forma tão louca que mexe comigo profundamente. Eu sou importante pra ele. E ele importante demais pra que eu negligencie a sua existência. Mesmo ele estando longe.

Fico aqui ainda pensando se é mesmo a melhor escolha. Mas certeza eu nunca terei. Mesmo depois que eu já estiver lá com ele e tudo mais, simplesmente os conflitos surgirão, é normal. E eu tenho que estar preparada pra isso desde agora.

É claro que o medo existe mas não me deixo dominar por ele nenhum minuto. O que me faz hesitar diante de decisões como essa não é necessariamente o medo. É simplesmente ter que abrir mão de uma opção, ter que fazer alguma escolha. Peco somente pelo ato em si, mas uma vez tomada a decisão, dificilmente eu volto atrás.

É, e lá vou eu… estou apaixonada e feliz.

pretoebrancoEstou imensamente feliz.

Todas as coisas que andam acontecendo comigo me lembram o tempo todo do poder imenso da impermanência. Do quanto ela pode ser bela e também cruel. Na verdade, quando se percebe que esta faz parte do todo, e principamente, se aceita essa condição como uma vivência, começamos a ver que nada é em vão, que todos os momentos, os felizes, os hostis, os tediosos, os eufóricos… todos estes são importantes, todos eles fazem parte do que chamamos de vida.

Ontem, foi engraçado. Lembrei de uma situação vivida a algum tempo atrás, lá em Brasília. Lá eu passei por momentos muito difíceis e de extrema necessidade. Não falo somente em questões materiais, mas principalmente de carência afetiva, de vontade de estar com alguém, de simplesmente companhia. Assim aprendi a viver sozinha e apreciar mais a minha companhia. Mas esse momento do qual falo, especificamente, foi um momento literal de vacuidade. Pois depois dele, nunca mais fui a mesma pessoa.

Havia quebrado o pé no carnaval na fazenda que havia ido. E tinha que fazer uma mega mudança de casa. Do quarto que alugava para a república. E assim mesmo, com o pé quebrado, fiz a tal mudança. Claramente, meus amigos me ajudaram e isso foi de extremíssima importância.

Enfim. Passado parte do sufoco, as pessoas foram e eu fiquei. Dentro daquele apartamento pude me achar completamente sozinha. Tendo que comer o que me traziam e tomar banho sozinha com um pé engessado. Até aí tudo bem. Meu poder de superação foi a nível mil durante esse período. Mas todos esses fatos nao foram relevantes o suficiente como o que eu vou relatar agora.

Tinha um namorado. Mas nesse exato momento, já não estávamos mais juntos. Vivíamos um resto de relacionamento conturbado, com contato mínimo e mais desejo da minha parte do que da dele. Por esses e outros motivos de carência emocional, resolvi escrever-lhe um email, pedindo que fosse me visitar no apartamento, e expus a minha condição.

Na primeira investida, no primeiro email, ele ficou super surpreso, pelo tempo que eu não mantinha contato e pelo meu estado de saúde. Disse que iria, foi solícito e gentil. Mas isso foi somente no primeiro momento. Depois disso, enviei outro email, perguntando alguma trivialidade. E nesse momento foi que senti mais uma vez a frieza do seu lado negro de escorpião.

E me mandou um email com a seguinte frase: “Só na solidão é quem realmente somos”. Simplesmente isso, simplesmente assim e nada mais.

Em seguida abri as torneiras dos meus olhos e desabei a chorar por horas seguidas. Ora eu, sozinha naquela cidade imensa, adoecida, carente, sozinha naquele apartamento, precisando de tudo, principalmente de carinho e atenção.

Mas o inusitado veio depois: após o choro compulsivo, me veio intensamente uma sensação que posso dizer que não havia sentido antes. A liberdade plena, a verdadeira apreciação do que se chama solitude. A solidão boa.

Depois desse dia nunca mais fui a mesma pessoa. Entrei numa vacuidade absurda, onde minha mente transcendeu anos luz. E o guri, mesmo sem saber, e sem intenção, me promoveu uma das lições de vida.

Pois bem, ontem a noite, ao vê-lo on line na internet, resolvi relatar esse fato  e agradeci imensamente por ele ter-me escrito aquelas coisas. Ele me retribuiu de uma forma esperada, quer dizer, desejada; disse que eu não tinha que agradecer por nada, e que na verdade ele era que tinha que me pedir desculpas por tantas infantilidades e atos imaturos com os quais me fez sofrer. E no fundo, era realmente isso que eu queria.

Resumindo, todos os seres que aparecem na nossa vivência, são sim de extrema importância, não só aqueles que nos proporcionam momentos de felicidade, mas também aqueles hostis, que nos fazem sofrer de algum modo. Até estes podem nos ensinar alguma coisa e nos mudar de alguma forma.

Obrigado H.G.! Serei eternamente grata!

libraO signo da Balança é um signo do equinócio. Que quer isso dizer? o equinócio – recordemos sua definição – representa um dos dois períodos do ano nos quais o Sol, passando pelo Equador, faz com que os dias tenham uma duração igual à das n0ites, de um círculo polar. No equinócio do outono, no sétimo signo do Zodíaco, os dias e as noites se equilibram; daí o símbolo da Balança, instrumento constituído de uma haste móvel e dois pratos.

O signo da Balança está associado À busca do equilíbrio. Do ponto de vista fisiológico, o órgão que assegura esse equilíbrio no corpo humano constitui-se dos rins. Os dois pratos da Balança simbolizam os dois rins; a haste da Balança, em seu centro, corresponde à coluna vertebra,], poderoso e arquitetônico equilíbrio do microcosmo humano. A coluna vertebral é igualmente indispensável ao nosso equilíbrio físico. Ela nos permite vencer a força da gravidade. Após os instestinos, órgão veinculado ao signo de Virgem, o de uma purificação, os rins são um filtro que assegura o equilíbrio fisiológico.

Em sequência à virgindade (signo de Virgem), o signo da Balança exprime a união do casal. A noiva chegando virgem ao casamento, oferece sua virgindade ao esposo. Após o signo da Balança, crescendo a duração das trevas, que supera a dos dias, será um símbolo da sexualidade, poder noturno das trevas, das perda do rumo, ou, ao contrário, de iniciação e vigília, de liberação, encerrado como fonte de uma transformação infinita, no signo de Escorpião.


O Sol em queda no signo de Balança.

O Sol, símbolo do eu, encontra-se em queda, ou seja, em debilidade, no signo de Balança. Lembremos que está em exaltação o signo de Áries, primeir0 signo individual. Opondo-se à sua exalatação,sua queda que ocorre no signo da Balança, provém do fato de que esse mesmo signo é o primeiro que concerne não mais ao indivíduo, e sim à sociedade. A partir do signo da Balança e até Peixes, os signos não serão mais indiviuais, mas coletivos, exprimindo todas as tensões e, igualmente, todas as forças coletivas. Nesse primeiro signo social, o sétimo do Zodíaco, a força não referve mais, não deriva de um cadinho energético, de um impulso como o de Áries; mas provém de uma renúncia ao eu pelo seu apagamento diante de um universo social resumido na lei, na justiça. Após a purificação d’o signo de Virgem,  o da Balança é o signo do julgamento. Foi concedido ao homem tempo para purificar-se, purgar-se de todas as suas impurezas. Esse é o coroamento do ciclo individual que termina por último esforço de purificação. Depois disso inicia-se o julgamento, primeiro ato social para cuja participação o indivíduo deve abandonar o eu. O indivíduo, sub judice, entrega aos juízes sua causa. Num prato da balança está o advogado que o defende, no outro, o promotor que o acusa. Ao meio fica a haste da balança: o juiz que aprecisa, pesa, absolve ou condena. Igualmente, no plano místico a alma sempre conspurcada ou purificada se apresenta diante do seu juiz, que será subterrâneo, encarnado no signo do Zodíaco que vem a seguir, o da justiça infalível e terrível: Plutão, que rege o signo de Escorpião.

Ao passo que o signo de Escorpião é a balança invisível, a da alma e de seus valores situados além da matéria, o signoda Balança encarna o julgamento visível, a lei temporal.

O Sol, em queda no primeiro signo do ciclo social, culmina, em consequência, na renúncia ao eu e na função de uma primeira pedra angular necessária a toda e qualquer sociedade: a justiça. Em definitivo, como toda justiça procedo do Céu e pressupõe uma hierarquia, essa justiça valerá o que valer a sociedade em seu todo.

O signo da Balança exprime uma aliança. Após a purificação, o homem e a mulher se unem: a igualdade dos dias e das noites é o símbolo dessa união, a noite lunar representando a mulher, e o Sol diurno, o homem. Essa perfeita igualdade exprime outro equilíbrio, o dos sexos, ainda representado pela balança que pesa pesos iguais e cujo dois pratos se equilibram em torno de seu fiel. Trata-se igualmente do equilíbrio da justiça, que há de julgar as pessoas em função da sociedade, atribuindo perfeita igualdade entre as que tiverem cometido um erro, um “desequilíbrio”, e o que exige um castigo.

O signo da Balança não rege só a aliança entre os homens e a mulher (o casamento) mas também todas as alianças possíveis, principalmente a que existe entre o homem e seu Criador, entre o espírito revestido de carne e o Espírito, semente e fonte desa criação.

[…]

Em consequência da queda do Sol – este sempre significa um reinado – o signo da Balança encerra, no plano coletivo, uma nova ordem de coisas conforme a vontade de Deus, não podendo essa nova ordem de coisas nada mais ser do que o fim e, por isso mesmo, a renovação daquilo que a precedeu. É o encerramento de um ciclo.

Enquanto o primeiro signo social e símbolo da justiça, o signo da Balança torna-se, nesse momento, o novo ascendente, o novo ponto de partida. Como efetivamente se originaria, no plano coletivo, uma nova ordem de valores, senão através da justiça? Se um ciclo chega a seu termo, isso significa que nada, e pessoa alguma encontra-se em seu justo lugar. O novo ciclo que vem substituir essa desordem insere, então cada um, de maneira harmoniosa, num momento dado, num lugar determinado, no qual os esforços no sentido de ascender serão os mais fecundos. Na medida em que cada um for purificado, seguirá por si mesmo em direção a essa justiça, que provém do Céu, seu lugar natural e sua majestade.

[…]

zen1A idéia básica do Zen é a de entrar em contato com os trabalhos íntimos do nosso ser da maneira mais direta possível, sem necessitar de alguma coisa externa superimposta. Portanto, tudo que aparenta ser uma autoridade externa é rejeitado pelo Zen. Uma fé absoluta é colocada no ser interno do homem. Qualquer autoridade que possa ter o Zen provém de dentro. Isto é verdadeiro no sentido estrito da palavra. Até a faculdade do raciocínio não é considerada  final ou absoluta. Ao contrário, ela impede a mente de entrar em comunicação direta consigo mesma. O intelecto realiza sua missão quando age como intermediário, e o Zen nada tem  a ver com intermediários, exceto quando deseja comunicar-se com os outros. Por essas razões, todas as escrituras são meramente tentativas e provisórias. Não há nelas finalidade. O fato central da vida como é vivida é o que o Zen deseja captar e asssim mesmo da maneira mais direta e vital. O Zen diz ser o espírito do budismo, mas de fato é o espírito de todas as religiões e filosofias. Quando o Zen é compreendido completamente, a paz absoluta da mente é alcançada, e o homem vive conforme deve viver. Que mais podemos desejar?

Alguns dizem que sendo o Zen uma forma de misticismo não pode reclamar posição única na história da religião. Talvez seja certo, mas o Zen é um misticismo a seu próprio modo. É místico nos sentido de que o sol brilha, que uma flor desabrocha e que neste momento ouço alguém bater um tambor na rua.  Se esses fatos são místicos, o Zen está cheio deles. Certa vez, perguntaram a um mestre o que era o Zen, e ele replicou: “O teu pensamento cotidiano”. Não está claro e suficientemente direto? Nadatem a ver com qualquer espírito sectário. OS cristãos e budistas podem utilizar o Zen da mesma forma que os peixes grandes e pequenos podem morar contentes no mesmo oceano. O Zen é trovão. O Zen é o raio, a flor primaveril, o calor do verão, o frio do inverno; mais do que isso tudo, o Zen é o homem. Apesar de todos os formalismos, convenções e superadições que o Zen acumulou na sua longa história, o seu cerne ainda está muito vivo. O mérito especial do Zen repousa nisto: podemos ver ainda este fato último sem sofrer influência de coisa alguma.

De acordo com o que dissemos, o que faz o Zen único, do modo por que é praticado no Japão, é o treinamento sistemático da mente. O misticismo ordinãrio tem sido um produto muito variável e dissociado da vida comum do indivíduo. Isto o Zen revolucionou. O que estava até então nos céus, o Zen trouxe À terra. Com o desenvolvimento do Zen, o misticismo deixou de ser místico. Não é mais o produto espamódico de uma mente anormalmete dotada. O Zen revela-se a si mesmo no meio da mais desinteressante e insípida da vida do homem comum, que reconhece o fato de viver na vida, tal qual é vivida. O Zen treina sistematicamente o pensamento para ver isso. Abre os olhos do homem para o grande mistério que diariamente é representado. Alarga o coração para que ele abranja a eternidade do tempoe o infinito do espaço em cada palpitação e faz-nos viver no mundo como se estivéssemos andando no Jardim do Édem. Todas essas conquistas espirituais são obtidas sem necessidade de qualquer doutrina, simplesmente afirmando, da maneira mais direta, a verdade que jaz no nosso ser interno.

Além de tudo o Zen é prático, comum e ao mesmo tempo sumamente vivo. Um mestre antigo, quando desejava mostrar o que era o Zen, erguia um dos dedos. Com outro chutava uma bola e com um terceiro dava um tapa no rosto de quem perguntava. Se a verdade interna, que jaz profundamente em nós, é assim demonstrada, não será o Zen o método mais direto e prático jamais tentado por qualquer religião? Não será este método prático um método original? Na verdade, o Zen não pode ser nada mais do que original e criador. Recusa-se a tratar com conceitos e somente trata com os fatos vivos da vida. Quando compreendido ao pé da letra, o elevar de um dedo é um dos episódios mais comuns da nossa vida. Mas, quando encarado do ponto de vista do Zen, este gesto vibra com significação divina e vitalidade criadora. Desde que o Zen possa apontar esta verdade no meio de toda nossa existência convencional e amarrada a conceitos, forçoso é concordar que tem a razão de ser.

O texto seguinte, tirado de uma carta de Yengo (Yuan-wu em chinês), responde, de certo modo, à pergunta feita no início deste capítulo: “O que é o Zen?”.

“Está presente diante de tua face, e neste instante tudo te é oferecido. Para uma pessoa inteligente uma palavra basta para convencê-la da verdade, mas apesar disso, ainda incorre em erro. O Zen se afasta muito mais de nós quando tentamos explicá-lo com papel e tinta, prendendo-o numa armadilha verbal e lógica. A grande verdade Zen é possuída de todos. Olha o teu próprio ser e não o procures através dos outros.  Tua mente está acima de todas as formas. É livre, calma e suficiente. Eternamente se imprime a si mesma nos teus cinco sentidos e quatro elementos. Em sua luz tudo é absorvido.  Abandona o dualismo do sujeito e objeto. Esquece-os. Transcende o intelecto. Afasta-se del e e penetra diretamente no âmago de identidade da mente de Buda. Fora dela não há realidades.” Quando Boddhidarma veio ao Ocidente, a única coisa que declarou foi: “Apontando diretamente à própria alma,   minha doutrina é única, e não é assolada por ensinamentos canônicos. É a transmissão absoluta do verdadeiro sinal”. O Zen não tem nada a ver com letras, palavras, ou sutras. Só requer que te encaminhes diretamente ao ponto onde hás que encontrar a morada da paz. Quando a mente é pertubada e a compreensão incitada, coisas são reconhecidas, noções entretidas, espíritos fantasmagóricos conjurados, e os preconceitos crescem sem controle.  O Zen será perdido para sempre nessa selva.

O sábio Sekiso (Shim-shuang) disse: Refreia todos os teus desejos. Deixa crescer mofo nos lábios. Transforma-te numa peça de seda imaculada. Deixa que teu único pensamento seja a eternidade. Procura assemelhar-te às cinzas mortas, frias e sem vida, ou sê como um velho incensório num santuário abandonado de uma aldeia!

Põe tua fé nisto e disciplina-te. Deixa que teu corpo e tua mente se tornem objeto da natureza, tal uma pedra ou um pedaço de madeira. Quando um estado de perfeita imobilidade e inconsciência é obtido, cessarão todos os sinais de vida e mesmo os traços de limitação. Nenhuma idéia te pertubará a mente. Até que, súbito, descobrirás uma luz brilhando no seio de uma alegria imensa! É como cercar-se da luz no meio das trevas. Como receber um tesouro na pobreza. Os quatro elementos e os cinco agregados não mais se assemelham a pesados fardos, tão leve e tão livre tu estás. Tua própria existência foi libertada de toda as limitações. Estás aberto, leve, e transparente. Ganhaste uma visão iluminadora da verdadeira natureza das coisas, que te aparecem agora como flores fantásticas sem realidade concreta. Aqui se manifesta o ser sem sofisticações, que é a face real do teu ser. Aqui é mostrada, em toda a sua nudez, a paisagem do teu nascimento. Há somente uma paisagem direta e desobstruída internemente. Isto ocorrerá quando entregares tudo – teu corpo, tua vida, tudo enfim que pertença ao teu ser mais íntimo. Aí sim, alcançarás a paz, a tranquilidade na ação e deleites inexprimíveis. Todos os sutras e sastras nada mais são do que comunicações desse fato. OS sábios antigos e modernos esgotaram o seu engenho e imaginação para apontar esse caminho. É como o destrancar da porta de um tesouro. Quando chegamos à entrada, cada objeto que a vista alcança é nosso, cada oportunidade que se apresenta está disponível para nosso uso. Acaso não poderão ser obtidas todas as posses aguarda apenas o que descubras e utilizes. Isto é o que significa: “Uma vez ganho, eternamente ganho, até o fim dos tempos”. Todavia, nada foi ganho. O que obtivesse não é ganho. No entanto, há algo que foi realmente ganho.

D.J. Suzuki – Introdução ao Zen Budismo.

impermanencia

O ser que bate a porta na sua cara é o mesmo que depois lhe envia o recado: “Dança comigo?”. Isso se chama impermanência. Chamar a pessoa responsável pelos seus maiores machucados e sofrimentos para morar com você. Isso é vacuidade.

Ano passado fui ver 5×2 (O Amor em Cinco Tempos), de François Ozon. Contado de trás pra frente, a história flui naturalmente como se não houvesse um roteiro nem um diretor. É direta, sem paleativos, mas sem ser niilista ou pessimista (não é otimista tampouco). É uma lição dura essa, a impermanência. Em um momento, vemos uma cena linda de um casal dançando colado. Em outra, eles se atacam como se não se conhecessem. Não há uma cena sequer do filme no qual eles aparecem verdadeiramente felizes e abertos. Há sempre uma ansiedade, uma contração melancólica. Eles nunca estão realmente acordados e vão batendo a cabeça do começo ao fim. Em maior ou menor grau de confusão, é exatamente esta a nossa história. Vivemos insistindo na crença de que algumas coisas são verdadeiramente estáveis e nossa ansiedade surge daí: no fundo sabemos que nada é tão concreto e eterno quanto parece.

Ao pararmos de ignorar a impermanência e nos engajarmos em sua compreensão, podemos cair em dois extremos de sofrimento e frustração. No primeiro, o niilismo, desistimos de dar significado às coisas.  Se tudo eventualmente acabará, qual o sentido em fazer algo positivo ou por que não matar alguém? No segundo, saímos desesperadamente para aproveitar todos os prazeres possíveis enquanto nossa vida durar. O lema “Carpe Diem” define a atitude que Alan Wallace chama de”esteira hedonista”.

Tanto no niilismo quanto no hedonismo, nossa mente opera do mesmo modo, buscando felicidade em seres, instituições, fenômenos e sensações instáveis. Assim cade elemento no qual nos enganchamos flutua; nossa mente, energia e corpo flutuam junto. E lá se vai nossa querida felicidade! A diferença é que no niilismo logo desistimos quando percebemos isso – pensando que essa operação é a nossa única, e falida, opção. E no hedonismo somos mais inteligentes ao usar a percepção da impermanência para pular de um prazer a outro antes que eles cessem. Em geral, somos niilistas ao acordar na segunda feira e viramos hedonistas ao sair do trabalho na sexta feira…

Se levarmos a visão da impermanência até o fim, retiraremos um a um os rótulos e placas (“Permanente e fonte autêntica de felicidade estável”) que colocamos em diversos seres e objetos ao nosso redor. Quando não sobrar mais nada, inevitavelmente vamos nos perguntar: “O que então é permanente? Onde eu coloco minhas placas?”. Assim começa nossa investigação da vacuidade, dos aspectos genuinamentes transcendentais de nosso ser e principalmente dos outros seres. A impermanência de todos os fenômenos construídos esconde a natureza livre, luminosa e criativa da realidade.

Ao contrário do que pensamos, a impermanência não é só responsável pelas separações e trocas constantes de parceiros, mas igualmente pelas uniões duradouras. É porque mudamos constantemente que ficamos juntos. Ou seja, eu gosto do outro não necessariamente pelo que ele é, mas por aquilo nele que se transforma nos vários que o habitam. É a liberdade de um que se conecta com a liberdade do outro. Nós amamos a ausência de definição do outro, não suas características marcadas e consolidadas. Não há amor na rigidez.

Os ensinamentos budistas conferem um sentido preciso ao conceito de vacuidade: ausência de existência ou essência inerente. As coisas não existem “lá fora” nelas mesmas, seu significado não é pré-definido e elas não possuem uma essência nuclear. As coisas são insubstanciais, como nuvens oníricas. Se assim não fosse, a impermanência seria impossível, e estaríamos presos em um mundo completamente pré-configurado. O fato da transitoriedade aponta para a vacuidade (a ausência de substancialidade de todos os fenômenos e seres) enquanto que a vacuidade é a condição de possibilidade da impermanência.

Podemos, portanto, dispensar a impermanência e ir direto ao insight da vacuidade. Para que esperar vinte anos para que uma relação mude? Se ela mudará em vinte anos, isso significa que neste exato momento a liberdade para isso já está presente. Essa compreensão acalera o tempo. Vacuidade é a impermanência em um flash: vinte anos em um segundo. Ou ainda: para que trocar de parceiro se o atual não é definido e pode renascer de uma hora para outra?

Somente o entendimento de impermanência é pouco. Às vezes, eles nos libera so sofrimento imediato por alguma situação (“isso passa”, lembramos), mas nem sempre gostaríamos de esperar. Se a compliacação parece irreversível, logo começamos a pensar no divórcio. Porque a impermanência perde para nossos impulsos, o remédio tem de ser mais forte. Somente a compreensão da vacuidade tem o poder de alterar essa configuração. E enfim, vemos a liberdade no outro, não nas suas prisões e obstáculos atuais das quais estamos tentando fugir.

Vacuidade, pois o outro não existe nele mesmo, com uma essência instalada em seu interior. Ele nasce a cada momento para nosso olhar. Podemos enjaulá-los (“ele é assim mesmo”) e reagirmos pelas operações usuais de gostar, não gostar e sentir indiferença. Sentiremos apego e desejo pelo que gostamos nele, aversão e raiva pelo que não gostamos e seremos cegos às suas partes do outro intocadas pela nossa indiferença. Nessa relação, os meus condicionamentos se engatam nos condicionamentos do outro. Meu orgulho ama enquanto ele não a ensina a sabedoria popular: minha teimosia o ama enquanto ele confronta, meu orgulho o ama enquanto ele não o destrói, meu medo o ama enquanto ele me mantém segura e confortável. Ficamos trancados um ao outro em uma prisão que nos aquece no início mas que ficará cada vez mais fria e dolorosa com a ação implacável dos senhores da impermanência.

Reconhecendo vacuidade e impermanência, podemos deixar de congelar nosso parceiro. Podemos amar sua liberdade com nossa liberdade. Ele não é “assim mesmo”. Ele pode mudar a qualquer momento. Para criar e cultivar esse espaço, lembre-se que as pessoas reagem de modo diferente de acordo com o ambiente no qual se encontram. Se você estiver em um local sujo, a probabilidade de você jogar mais lixo no chão é grande, ainda que você não possua esse hábito. Nossa presença configura uma matriz de possibilidades de ação do outro, um leque de identidades que podem surgir, de personagens que o outro pode atuar. Nós podemos restringir as emoções, pensamentos e movimento corporais do outro somente com nossos olhos! Mas nós podemos ampliá-lo, expandir seu corpo, abrir espaço para que conosco ele seja algo que nunca teve a chance de ser.

Amar uma pessoa considerada “tímida” é, em um só movimento, acolher sua timidez e sustentar uma flexibilidade para que ela possa não ser nada tímida com você. Ao fazer isso, ela naturalmente sentirá que tem a liberdade de ser ou não tímida com os outros. Ela não é sua timidez, mas a liberdade criativa de poder ou não manifestá-la. Por desvincular nosso ser de nossos condicionamentos, uma breve relação virtuosa consegue liberar incontáveis relações viciadas. Anos de aprisionamento podem se dissolver com apenas um olhar de espacialidade.

Não precisamos esperar sentados pela impermanência. Aguardar o dia em que nossas identidades sejam trocadas, que nossas relações problemáticas cabem e nossas experiências se modifiquem.  Não é necessário sequer esperar pela mudança dos outros. Basta que simulemos a impermanência, que nosso olhar comprima quarenta anos em um segundo. Afinal, desde sempre fomos atraídos por aqueles que nos oferecem esse espaço de podermos ser diferentes daquilo que pensamos ser, que nos fizeram ser, dos personagens que cansamos de encenar.

Na verdade, nós não amamos várias identidades impermanentes que surgem ao longo do tempo em nosso parceiro. O processo pode assim parecer, mas o que menoos atrai é a vacuidade do outro, não a sua impermanência.  O “Amor em Cinco Tempos” é uma farsa condenada ao fracasso. O amor genuíno não existe entre identidades temporais, mas entre vacuidades – o que torna verdadeiramente impessoal e atemporal.

Como eu dizia, convidei para morar comigo a pessoa responsável pelos meus maiores machucados e sofrimentos. No momento em que ela entrou em casa, dava para sentir a tensão entre a impermanência e vacuidade, identidades e liberdades, fixações e espaços, passado e futuro. E então ela deslizou – suspensa, sem rastros – e começou a dançar comigo ao redor de nossos medos e carências, seguindo o ensinamento de T.S. Elliot:

“At the still point of the turning world. Neither flesh nor fleshless; neither from nor towards; ate the still point, there the dance is, but neither arrest nor movement. And do not call it fixity, where the past and future are gathered. Neither movement from nor towards, Neither ascent nor decline. Except for the point, the still point, there would be no dance, and there is only the dance.”

Texto de Gustavo Gitti.

http://nao2nao1.com.br/vacuidade-e-impermanencia-nas-relacoes/

amar-o-mari

E nada do que eu havia dito tinha muita necessidade.  O valor imensurável da experiência pessoal precisava ser visto, ouvido e digerido. Pelo menos alguém ouviu e interpretou bem, entendeu o que eu disse e interagiu comigo. Me deu conselhos e força. Me fez ver em frente. Só me resta seguir.

Às vezes as cores me fogem feito nuvens entre os dedos; a pele, fica menos encorajada, perde o sabor e ganha o medo. A boca fica levemente branca e as pernas, trêmulas. O coração palpitante em ânsia. Muita ânsia. De todos os tipos: de vômito, de âmago, de saudade, de solitude, de solidão.

Como gritar com um eco mudo, o supra sumo, às vezes interpretável embora completamente compreensível? O bastar-se em si mesmo é isso. Sem mais delongas ou reverberações contraditórias, é. Tudo processo. E o objeto processual? Eu. Alguns chamariam intuição, sexto sentido, premonição. Não me chateio nem nada pois o beyond deles anda escondido.  Será que somente eu enxergo? Será que somente eu não vivo essa cegueira generalizada? Uma certa paralisia talvez, mas a cegueira não me cabe. Certamente não ando sozinha por esse caminho onde se precisa ver o que se está além. Vivendo o momento presente, fazendo de si mesmo, a mais incrível e verdadeira obra-prima.

Dói. O processo é dolorido. A dor faz parte do sofrimento e o sofrimento faz parte da declaração do universo ao mundo, da mudança, da simples e imensa evolução. Aonde ela está? Aonde ela estaria? Dentro de algum lugar que se fechou, mas que se retorce em vontade de se abrir, que pensa que acabou, mas no deep sobrou alguma coisa de mim e de você lá; ou daquelas pessoas com quem convivi ontem.

Sabedoria em versos de quem não sabe nada.

Não me faço tapete pra que me pisem, mas pra que possam voar todas as noites no estranho manto de glitter no céu. Não entrego o coração pra que o menosprezem, mas para que façam dele um catalizador. Uma arma transbordante de energia imbatível, impenetrável, indestrutível.  Não costumo virar as costas pra nada. Às vezes acontece. É importante. Dizer não também faz parte.

Entre muitos momentos não sabia o que dizer, mas o fazia, pois amava o desnecessário. Meus olhos eram cegos, e assim haviam de ser; pois ainda não sabia enxergar a verdadeira beleza. Algo me golpeava a alma, algo parecido com febre ou asas perdidas num caminho. E assim, hoje me faço só, parada a decifrar essa transcendência.

The sublime logic leads to absolute telepathy.

E como o susto de primeiro passo, assim senti: o vago, um sem corpo, que por uma dor que nunca cessa, abriu-me de súbito. “Um céu debrulhado e aberto, planetas, plantações palpitantes, a sompra perfurada, atravessada por flechas, fogo e flores. A noite agasalhadora:o universo. E eu,um mínimo ser, ébrio do vazio enorme constelado, à semelhança, à imagem do mistério, senti-me parte pura desse abismo, girei com as estrelas, meu coração se desatou no vento”…


Today I don´t scream “rescue me” more.

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Bom é agir e bom é abster-se da atividade. Tanto isto quanto aquilo conduz à meta suprema. Mas para o principiante, melhor é agir corretamente.

O verdadeiro renunciante é somente aquele que nada deseja e nada recusa. Inatingido pelos opostos, tanto no seu agir como no seu desistir. Não afetado nem por esperança nem por medo.

Os ignorantes tecem teoria sobre o agir e o conhecer, como se tratassem de duas coisas distintas: mas os sábios  estão convencidos de que quem faz isso, não deixa de colher os frutos daquilo.

O reino da quietude que os sábios conquistam pela meditação é também conquistado pelos que praticam ações. Sábio é aquele que compreende que essas duas coisas – a consciência mística e a ação prática – são uma só em essência.

Difícil tarefa é atingir o estado de renúncia sem ação e sem que o espírito da fé penetre o coração. O sábio que, pela força da verdade, renuncia a si mesmo, integra-se em Brahman.

Este é puro de coração, forte no bem e senhor de todos os seus sentido. Sua vida está a serviço da vida de todos e ele realiza suas ações sem ser escravizado por nenhuma delas.

Porquanto reconhece que não é ele que age quando vê, ouve ou sente.

Pois quando vê ou ouve, cheira ou come, dorme ou respira, quando abre e fecha os olhos, quando dá ou recebe ou realiza outro ato sensório qualquer, que não são senão seus sentidos  que operam com esses objetos eternos.

Quem tudo faz sem apego aos resultados, faz tudo no espírito de Deus. E com a flor de Lotus, incontaminada pelo lago que vive, permanece isento do mal.

[…]

galaxiase começo aqui e meço aqui este começo e recomeço e remeço e arremesso e aqui me meço quando se vive sob a espécie da viagem o que importa não é a viagem mas o começo da por isso meço por isso começo a escrever mil páginas escrever milumapáginas para acabar com a escritura por isso recomeço por isso arremeço por isso teço escrever sobre escrever sobre escrever é o futuro do escrever sobrescrevo sobrescravo em milumanoites milumapáginas ou uma página em uma noite que é o mesmo noites e páginas mesmam ensimesmam onde é o fim é o comêço onde escrever sobre escrever descomêço desconheço e me teço um livro onde tudo seja fortuito e forçoso um livro onde tudo seja não esteja um umbigodomundolivro um umbigodolivromundo um livro de viagem onde a viagem seja o livro e volto e revolto pois na volta recomeço reconheço remeço um livro é o conteúdo do livro e cada página de um livro é o conteúdo do livro e cada linha da página do livro um livro ensaia o livro todo livro é um livro de ensaio de ensaios do livro por isso o fim-comêço começa e fina recomeça e refina e se afina o fim no funil do comêço afunila o comêço no fuzil do fim no fim do fim recomeça o recomêço refina o refino do fum e onde fina começa e se apressa e regressa e retece há milumaestórias na mínima unha de estória por isso não conto por isso não canto por isso a nãoestória me desconta ou me descanta o avesso da estória tudo depende da hora tudo depende da hora tudo depende da glória tudo depende de embora e nada e néris e reles e nemnada de nada e nures de néris  de reles de ratlo de raro e nacos de necas e nanjas de nullus e nures de nenhures e nesgas de nulla res e nenhumzinho de nemnada nunca pode ser tudo pode ser todo pode ser total tudossomado todo somassuma de tudo suma somatória do assomo do assombro e aqui me meço e começo e me projeto eco do comêço eco do eco de um soco no osso e aqui ou além ou auém ou láacolá ou em toda parte ou em nenhuma parte ou mais além ou menos aquém ou mais adiante ou menos atrás ou avante ou paravante ou à ré ou a raso ou a rés começo re começo rés começo raso começo que a unha-de-fome da estória não me come não me consome não me doma não me redoma pois no osso do comêço só conheço o osso o osso buço do começo a bossa do começo onde é viagem onde a viagem é maravilha de tornaviagem é tornassol viagem de maravilha onde a migalha a maravilha a apara é maravilha é vanilha é vigília é cintila de centelha é favilha de fábula é lumínula de nada e descanto a fábula e desconto as fadas e conto as favas pois começo a fala

haroldo de  campos.